A Atualidade do Pensamento de Gramsci  (PRATA DA CASA) escrito em terça 30 junho 2009 09:37

A globalização econômico-social contribui, no contexto histórico a que estamos inseridos atualmente, como elemento dificultador de uma possível , desejável e equitativa melhoria na qualidade de vida do ser humano.
Dentre os diversos problemas que afetam a vida humana hoje, a educação vem ocupando cada vez mais espaço nas rodas de discussões e nos meios de comunicação.
Com efeito, a questão educacional transcendeu os limites anteriormente estabelecidos e hoje tornou-se uma preocupação permanente permeando diversas áreas do conhecimento e atingindo o público leigo, antes tão desinteressado e pouco ou completamente desinformado. A preocupação com os rumos da educação como forma de contribuir para a minimização da problemática humana e da conseqüente e desejável reestruturação da sociedade pode ser evidenciada em diferentes fóruns nos quais o assunto vem sendo discutido pela : encontros, debates, seminários, congressos científicos e outros.
Mas de que educação estaríamos falando? Que princípios filosóficos fundamentariam essa educação? Mesmo nos dias de hoje, programas educacionais abstratos, vinculados à idéia de que é possível transformar a sociedade só por meio da educação -que seria capaz de minimizar as diferenças econômico-sociais entre os indivíduos, homogeneizando assim as relações sociais – oriundos do pensamento de DURKHEIM (1955) e PARSONS (1964), são largamente difundidos nos meios educacionais e na sociedade em geral.Fato é que, em que pesem as críticas – comuns até mesmo dentro dos meios educacionais – ninguém escapa da educação!
A educação ocorre mediando todas as relações sociais (BRANDÃO, 1981).Por expressar sempre uma doutrina pedagógica baseada em alguma filosofia de vida, em uma determinada concepção de ser humano e de sociedade, ela não se dá de uma única forma. Assim como não há um único local para exercê-la. A educação se dá na escola, na igreja, na rua, no trabalho, no botequim da esquina, enfim, no cotidiano do ser humano.É importante também enfatizar outro aspecto fundamental: além de sua função social, a educação tem uma significação política.
E é justamente nesse aspecto da educação que consiste a importância do legado do pensamento de Gramsci. Segundo FREITAG (1978), autores como Gramsci imprimem à educação uma conotação política, na medida em que, no processo educacional, o indivíduo é habilitado a atuar no contexto social em que vive, não simplesmente reproduzindo as experiências anteriores, transmitidas pelas gerações que o antecederam, mas também somando a essas experiências sua análise e avaliação crítica, por meio das quais ele se torna capaz de organizar e reestruturar a sociedade.
A educação é um ato político, na medida em que transmite modelos que prevalecem em uma sociedade: modelos de vida, modelos de trabalho, de relacionamento e de condutas. Por serem modelos de grupos sociais influentes, esses modelos têm significação política, uma vez que a política exprime relações de força até entre ideais opostos. As idéias políticas sobre a sociedade, a justiça, a liberdade, a igualdade, por exemplo, impregnam os modelos.
          Nesse sentido, para Gramsci, a educação é uma educação social e deve ser uma reflexão permanente sobre modelos sociais e sobre a organização social; assim toda teoria da educação deve, necessariamente, ordenar-se a um projeto de sociedade.
GRAMSCI (1984) conceitua de “ideologia” as idéias hegemônicas que circulam na sociedade e que legitimam um conjunto de valores, os quais, em última instância, refletem as divisões e as lutas sociais e as relações de força da sociedade. Apesar de não ser um teórico explícito da educação, é Gramsci quem fornecerá os elementos para pensarmos uma teoria dialética da educação, na medida em que propõe uma revisão do conceito marxista de Estado.
Se, em Marx, o Estado detinha a exclusividade da coerção e da violência, em Gramsci isso será subdividido em duas esferas: a sociedade política, na qual se concentra o poder repressivo da classe dirigente (governo, tribunais, exército, polícia), e a sociedade civil, constituída pelas associações privadas (igrejas, escola, sindicatos, clubes, meios de comunicação), nas quais circulam as ideologias que funcionam como “cimento” da formação social, e por meio das quais a classe hegemônica procura impor à classe subalterna a sua concepção de mundo.
Para Gramsci, a sociedade civil expressa o momento da persuasão e do consenso que, junto com o momento da repressão e da violência (sociedade política) asseguram a manutenção da estrutura de poder (Estado). Na sociedade civil, essa dominação se expressa sob a forma de hegemonia. Essas perspectivas indicam a natureza contraditória da educação, explicitada por Gramsci, que é, ao mesmo tempo um instrumento estratégico de dominação nas mãos da classe dominante, e também um instrumento estratégico de libertação por parte da classe dominada, uma vez que, mediante seus intelectuais orgânicos, ela pode lançar no âmbito da sociedade civil sua contra-ideologia.
Gramsci será o pensador que atribuirá à escola e à educação o papel de uma dupla função estratégica: a de conservar e, ao mesmo tempo, minar as estruturas do modelo social e econômico. Para ele, “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica”, na medida em que a contra-ideologia pode apoderar-se da educação hegemônica, corroendo-a, destruindo-a e reorganizando-a numa nova educação, que por sua vez divulgará uma nova concepção de mundo.De acordo com o legado do pensamento de Gramsci, entende-se que o educador tenha um papel político-pedagógico transformador: sua atividade não é neutra, já que seu trabalho está voltado para os grupos dominados. Esses pressupostos orientam uma prática educativa que privilegia o diálogo, os encaminhamentos conjuntos na solução de problemas e, sobretudo, na construção de saber coletivo. O educando torna-se sujeito, exatamente pela possibilidade de criar e recriar o conhecimento e intervir na realidade, modificando-a.
Gramsci irá também influenciar decisivamente toda a pedagogia crítica desenvolvida por Paulo Freire, em fins dos anos 1960, e também a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt, por meio de seus representantes mais significativos, como Horkheimer, Marcuse, Adorno e, principalmente, Habermas (AYUSTE, 1997).
Em oposição ao projeto pedagógico iluminista, caracterizado pela exaltação do novo e do culto à razão e à verdade objetiva, a pedagogia crítica, sob a influência de Gramsci propõe a libertação dos indivíduos e a luta contra as desigualdades sociais a partir da crítica ao desenvolvimento selvagem do capitalismo, à sociedade de consumo e à colonização cultural.

                                                                                       Fred Fernandes
 

 
Bibliografia
 
AYUSTE A. A pedagogia crítica e a modernidade. Pátio – Revista Pedagógica, Porto Alegre, Editora Artes Médicas Sul, ano I, no 2 Agosto/Outubro, 1997.
 
BRANDÃO CR. O que é a educação. São Paulo: Brasiliense. Colecção Primeiros Passos, 1981.
 
DURKHEIM, E. Educação e Sociologia, 4a. Ed. Melhoramentos, 1955.FREITAG B. Escola, Estado e Sociedade. São Paulo: Edart, 1978.
 
GRAMSCI A. Maquiavel, a política e o estado moderno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1984.
 
GRAMSCI A. Os intelectuais e a organização da Cultura, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.
 
GRAMSCI A. A concepção dialéctica da história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.17
 
PARSONS T. The Social System. Glencoe, The Free Press, 1964.

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Aprendizagem e Emoção - Laços de afeto são fatores decisivos no desenvolvimento do aluno  (PRATA DA CASA) escrito em sexta 15 maio 2009 18:48

         É possível imaginar, ainda nos dias de hoje, que não há relação entre aprendizagem e o emocional do aluno? E eu diria mais, completando o pensamento da autora: que o mesmo questionamento se faz com relação ao ato de ensinar/aprender com o emocional do professor.

        Muitos dos problemas enfrentados em nossas escolas, entre eles a indisciplina, provêm de várias situações socioafetivas não resolvidas no decorrer  dos anos e da debilitação que muitas crianças passam a ter, causando, muitas vezes, consequências irreversíveis na escola.

        Numa sala de aula, as crianças, com frequência, entram em conflito por uma série de sentimentos que vivenciam em casa, na rua ou na escola e que se refletem na aprendizagem, às vezes, negativamente. Nós temos que descobrir alternativas ou encontrar a peça que falta em nossos esforços para chegarmos até elas e não transformar nosso ensino em mais uma oportunidade perdida de aprender.

       Não podemos esquecer que os seres humanos são seres emotivos e trazem consigo marcas profundas desde a gestação, que são ignoradas por nós, professores, em função do conteúdo que devemos cumprir em determinado tempo.

      Entendemos que oportunizar aos alunos momentos de relato de sua vida, alegres ou tristes, são momentos ganhos em relação à aprendizagem.

     A emoção se constitui, também, conduta com profundas raízes na vida orgânica: os componentes vegetativos dos estados emocionais são também conhecidos. Wallon nos diz: " A educação da emoção deve ser incluída entre os propósitos da ação pedagógica, o que supõe o conhecimento íntimo do seu modo de funcionamento".

     Com a educação emocional, criamos um vínculo afetivo muito grande: é quando acontece um comprometimento mútuo entre professor e aluno, respeitando a individualidade de cada um deles enquanto pessoa.

     As emoções fazem parte do cotidiano de nossas escolas. A todo instante vivenciamos uma experiência emocional que se manifesta de diversas maneiras, com suas características próprias (alguns até tem semelhanças), mas diferentes no seu conteúdo. Um exemplo é bem claro: alguns choram de dor ou tristeza, outros, de alegria.

       Precisamos conviver com as emoções, aprender com elas e saber lidar com elas no nosso cotidiano. É preciso aperfeiçoar o trabalho com as emoções e o seu desenvolvimento.

       Os alunos sentem a necessidade de um ambiente que acolha e estimule o debate emocional, no qual possam compartilhar sinceramente suas emoções com pessoas que dividirão também as suas, com honestidade e confiança.

       Conhecer as próprias emoções, tomar consciência delas em relação a si mesmo e às outras pessoas, seus motivos, são os primeiros passos para trabalhar a Educação Emocional com os alunos da escola.

      Com diferentes técnicas que são desenvolvidas, os alunos passam a dar-se conta de que, por meio de pequenas situações, como, por exemplo, um diálogo, um conflito pode ser resolvido.

      O professor é o mediador desse processo de aprendizagem: as relações ensinar e aprender, aprender e ensinar entre professor e aluno acontecem constantemente. O professor não precisa exercer uma autoridade explícita. Sua autoridade docente é conquistada pela sua cidadania, sua liderança e sensibilidade.

     Necessitamos de profissionais da educação que possam e saibam atuar com competência em sua atividade (QI - quociente de inteligência) e que também sejam apaixonados pelo que fazem e verdadeiros no cumprimento de suas missões (Q.E. - quociente emocional), para tornar possível a construção de um mundo melhor.

       A pouca atenção dada às aptidões do coração vem sendo apontada como uma das principais causas das relações frustradas e do descontentamento pessoal que atormentam o ser humano - ser social que necessita de afeto, carinho e compreensão.

                                    " Perdi -me dentro de mim

                                      Porque eu era labirinto

                                      E agora quando me sinto

                                     É com saudades de mim"

ATIVIDADE

Alfabeto dos sentimentos

Materiais:

* Papel pardo

* Pincel atômico ou tinta

Objetivo:

    Oportunizar o desenvolvimento da auto estima, do autoconhecimento, da automotivação e controle emocional.

Procedimentos:

         * O professor organiza os alunos em círculo.

       * Conversa com os alunos sobre os sentimentos, o que sentem perante certas situações, incentivando-os a se manifestarem.

         *  Separa a turma em grupos de 4 alunos.

         *  Entrega o material para os grupos e solicita que escrevam todo o alfabeto no papel pardo.

* Solicita que escrevam a 1ª letra -  A - MOR, em conjunto e, ao lado dela, uma palavra que expresse um sentimento. Por exemplo: A - MOR. Cada grupo forma seu alfabeto dos sentimentos, escrevendo com cada uma das iniciais o nome de um sentimento, como o exemplo a seguir:

A - AMOR

B - BONDADE

C - CARINHO

Observação: Com alunos de séries iniciais, poder-se-á escutar e cantar a música Abecedário  da Xuxa ou outra que o professor adaptar ao tema. Após, fazer a listagem de sentimentos com o alfabeto.

 

                                                                                      Paula Barros

                                                          Adaptação de texto de Leila Rúbia Zielke Rebellato

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O Estatuto da Criança e do Adolescente  (MATERIAL DE APOIO) escrito em segunda 30 março 2009 16:11

Blog de orientacaopedagogica :Equipe de Orientação Pedagógica - E.M. Lúcio de Mendonça, O Estatuto da Criança e do Adolescente

 

        O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) foi instituído pela Lei 8.069 de 13 de julho de 1990. Trata-se de um conjunto de normas que tem como objetivo proteger a integridade da criança e do adolescente no Brasil.

         Este Estatuto resgata juridicamente a atenção universalizada a todas as crianças e adolescentes, respeitando normativas internacionais, como por exemplo a Declaração dos Direitos da Criança da ONU (Resolução 1.386 - 20 de novembro de 1959).

Crianças x adolescentes

        Considera-se criança a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Excepcionalmente, nos casos expressos em lei, aplica-se este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.

Cidadãos

        Com a introdução do ECA em 1990, crianças e adolescentes passaram a ser considerados cidadãos, com direitos pessoais e sociais garantidos. Assim, os governos municipais foram desafiados a implementar políticas públicas dirigidas a esse segmento. Essa foi uma mudança significativa em relação à legislação anterior, instituída em 1979, chamada Código de Menores.

Infrações

        O ECA é um instrumento de desenvolvimento social que garante proteção especial àquele segmento considerado pessoal e socialmente mais sensível. Assim, os casos de infração que não impliquem grave ameaça podem ser beneficiados pela remissão (perdão) como forma de exclusão ou suspensão do processo.

A apreensão se restringe a apenas a dois casos:

  • flagrante delito de infração penal
  • ordem expressa e fundamentada do juiz

        O internamento é aplicado apenas a adolescentes que cometem graves infrações, sendo obedecidos os princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à sua condição de pessoa em desenvolvimento.

Crimes contra crianças e adolescentes

        O Estatuto pune o abuso do poder familiar, das autoridades e dos responsáveis pelas crianças e adolescentes. Além disso, existem políticas públicas como:

 

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A avaliação  (AVALIAÇÃO) escrito em segunda 30 março 2009 16:06

Blog de orientacaopedagogica :Equipe de Orientação Pedagógica - E.M. Lúcio de Mendonça, A avaliação

 

          Por isto é que somente os oprimidos, libertando-se, podem libertar os opressores. Estes, enquanto classe que oprime, nem libertam, nem se libertam." (Paulo Freire). Conceito: avaliação é um processo de reflexão contínua sobre uma ação, em um contexto coletivo para compreender o específico, buscando mudanças necessárias no processo educacional. Existem duas modalidades de avaliação: a objetiva e a descritiva. Muitas escolas vêm adotando a colaboração de pareceres descritivos em termos de registros de atribuição de notas ou conceitos classificatórios na análise do trabalho desenvolvido junto aos alunos. Muitos professores passaram a fazer relatos por escrito sobre o desempenho dos educandos, principalmente nas pré-escolas e séries iniciais, e atualmente, no ensino fundamental e médio. Diante das dificuldades encontradas pelos professores em avaliar continuamente seus alunos, as teorias neste campo remetem a um desafio permanente de, em todos os momentos, prestar atenção neles, refletindo sobre a ação de avaliar o cotidiano escolar. Dessa forma, a avaliação passa a auxiliar no processo ensino-aprendizagem. É importante que o professor acompanhe a construção do conhecimento do educando. Assim, torna-se possível verificar os vários estágios de desenvolvimento dos alunos, sem julgá-los apenas num determinado momento estanque; geralmente, o da prova. É preciso avaliar, pois, o processo, e não simplesmente o produto. Ou melhor: avaliar o produto no processo. A separação entre a avaliação e o processo ensino-aprendizagem, uma vez que a avaliação não é aplicada no cotidiano do trabalho em sala de aula, mas sim em momentos especiais, com rituais especiais, causou sérios problemas para a educação escolar. Em nome da suposta objetividade, da imparcialidade, do rigor científico, chegou-se a uma desvinculação da avaliação no processo educacional. Provas muitas vezes preparadas, aplicadas e corrigidas por outros que não os professores das respectivas turmas, eram sinônimo de qualidade de ensino. Os alunos, por sua vez, demonstraram sua insatisfação em relação às avaliações pela prática da cola. A avaliação deve permitir que o professor acompanhe a construção das representações do aluno, percebendo onde ele se encontra, possibilitando a interação na perspectiva de superação. Assim, ela pode contribuir nas tomadas de decisões referentes à Educação, tais como: melhoria do ensino, da aprendizagem, das relações que permeiam professores e alunos, enfim, na arte de educar. Por conseguinte, a avaliação nunca deve ser um fim por si só, não pode ser usada como uma arma contra o aluno, com poderes de aprovar ou reprovar, premiar ou punir, julgar e selecionar numa escala de valores, notas ou conceitos "os mais capazes e os menos capazes".

                                                                                       Marinho Celestino de Souza Filho

                                                                    http://www.pedagogia.com.br/artigos/avaliacao/

Referências Bibliográficas:

 HOFFMANN, Jussara Maria Lerch (1993). Avaliação mediadora: uma prática em construção da pré-escola à universidade. Porto Alegre: Educação e Realidade. LUCKESI, Cipriano Carlos (1986). Avaliação Educacional Escolar Para Além do Autoritarismo. Revista da Ande, (10): 47-51, (11): 47-49, São Paulo.

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Linhas pedagógicas  escrito em segunda 30 março 2009 15:46

Blog de orientacaopedagogica :Equipe de Orientação Pedagógica - E.M. Lúcio de Mendonça, Linhas pedagógicas

 Linha Construtivista

          Inspirado nas idéias do suíço Jean Piaget (1896- 1980), o método procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas.

          Uma aluna de Piaget, Emilia Ferrero, ampliou a teoria para o campo da leitura e da escrita e concluiu que a criança pode se alfabetizar sozinha, desde que esteja em ambiente que estimule o contato com letras e textos.

         O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.

          Noções como proporção, quantidade, causalidade, volume e outras, surgem da própria interação da criança com o meio em que vive. Vão sendo formados esquemas que lhe permitem agir sobre a realidade de um modo muito mais complexo do que podia fazer com seus reflexos iniciais, e sua conduta vai enriquecendo-se constantemente. Assim, constrói um mundo de objetos e de pessoas onde começa a ser capaz de fazer antecipações sobre o que irá acontecer.

          O método enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno.
As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto-avaliação, portanto a escola não é considerada rígida.

          Existem várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do individuo no decorrer de sua vida.

Linha Montessoriana

          Criada pela pedagoga italiana Maria Montessori (1870-1952), a linha montessoriana valoriza a educação pelos sentidos e pelo movimento para estimular a concentração e as percepções sensório-motoras da criança.

          O método parte da idéia de que a criança é dotada de infinitas potencialidades. Individualidade, atividade e liberdade do aluno são as bases da teoria, com ênfase para o conceito de indivíduo como, simultaneamente, sujeito e objeto do ensino.

              Maria Montessori acreditava que nem a educação nem a vida deveriam se limitar às conquistas materiais. Os objetivos individuais mais importantes seriam: encontrar um lugar no mundo, desenvolver um trabalho gratificante e nutrir paz e densidade interiores para ter a capacidade de amar.

              As escolas montessorianas incentivam seus alunos a desenvolver um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado e adquirir autoconfiança. As instituições levam em conta a personalidade de cada criança, enfatizando experiências e manuseios de materiais para obter a concentração individual e o aprendizado. Os alunos são expostos a trabalhos, jogos e atividades lúdicas, que os aproximem da ciência, da arte e da música.

               A divisão das turmas segue um modelo diferente do convencional: as crianças de idades diferentes são agrupadas numa mesma turma. Nessas classes, alunos de 5 e 6 anos estudam na mesma sala e seguem um programa único. Posteriormente eles passam para as turmas de 7 e 8, em seguida para as de 9 e 10, e, finalmente alcançam o último estágio, que agrega jovens de 11,12,13 e 14 anos. Até os 10 anos, os alunos têm aulas com um único professor polivalente, enquanto nas salas de 11 a 14, esse professor ganha a companhia de docentes específicos para cada disciplina.

             Os professores dessa linha de ensino são guias que removem obstáculos da aprendizagem, localizando e trabalhando as dificuldades de cada aluno. Sugerem e orientam as atividades, deixando que o próprio aluno se corrija, adquirindo assim maior autoconfiança. A avaliação é realizada para todas as tarefas, portanto, não existem provas formais.

Linha Waldorf

          A Pedagogia Waldorf se baseia na Antroposofia (gr.: antropos = ser humano; sofia = sabedoria), ciência elaborada por Rudolf Steiner, que estuda o ser humano em seus três aspectos: o físico, a alma e o espírito, de acordo com as características de cada um e da sua faixa etária, buscando-se uma perfeita integração do corpo, da alma e do espírito, ou seja, entre o pensar, o sentir e o querer.

          Foi criada em 1919 na Alemanha e está presente no mundo inteiro. O ensino teórico é sempre acompanhado pelo prático, com grande enfoque nas atividades corporais, artísticas e artesanais, de acordo com a idade dos estudantes. O foco principal da Pedagogia Waldorf é o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas.

          Tanto o aprimoramento cognitivo como o amadurecimento emocional e a capacidade volitiva recebem igual atenção no dia a dia da escola. Nessa concepção predomina o exercício e desenvolvimento de habilidades e não de mero acúmulo de informações, cultivando a ciência, a arte e os valores morais e espirituais necessárias ao ser humano.

          O currículo, que se orienta pela lei básica da biografia humana, os setênios – ciclos de sete anos- (0-7/ 7-14/ 14-21) oferece ricas vivências, alternando as matérias do conhecimento com aquelas que se direcionam ao sentir e agir. Não há repetência, justamente para que as etapas de aprendizagem possam estar em sintonia com o ritmo biológico próprio de cada idade.

          No primeiro ciclo (0-7), a ênfase é no desenvolvimento psicomotor, essa fase é dedicada principalmente às atividades lúdicas, ela não inclui o processo de alfabetização. O segundo ciclo (7-14), que corresponde ao ensino fundamental, compreende a alfabetização e a educação dos sentimentos, para que os alunos adquiram maturidade emocional. Nesta fase, não existe professores específicos para cada disciplina, mas sim um tutor responsável por todas as matérias, que acompanha a mesma turma durante os sete anos. O tutor é uma referência de comportamento e disciplina para que o aluno possa se espelhar.

          Já no terceiro ciclo, equivalente ao ensino médio (14-21), o estudante está pronto para exercitar o pensamento e fazer uma análise crítica do mundo. As disciplinas são dividas por épocas, em vez de ter aulas de diversas disciplinas ao longo do dia ou da semana, o estudante passa quatro semanas vendo uma única matéria. Nessa fase entram os professores especialistas, mas as classes continuam com um tutor.

          A avaliação dos alunos é baseada nas atividades diárias, que resultam em boletins descritivos. O progresso dos alunos é exposto detalhadamente em boletins manuscritos, nos quais são mencionadas as habilidades sociais e virtudes como perseverança, interesse, automotivação e força de vontade. Como conseqüência, o jovem aluno tem grandes chances de se tornar um adulto saudável e equilibrado capaz de agir com segurança no mundo.

Linha Tradicional

          A linha tradicional de ensino teve a sua origem no século XVIII, a partir do Iluminismo. O objetivo principal era universalizar o acesso do indivíduo ao conhecimento. Possui um modelo firmado e certa resistência em aceitar inovações, e por isso foi considerada ultrapassada nas décadas de 60 e 70.

          As escolas que adotam a linha tradicional acreditam que a formação de um aluno crítico e criativo depende justamente da bagagem de informação adquirida e do domínio dos conhecimentos consolidados.

          Não há lugar para o aluno atuar, agir ou reagir de forma individual. Não existem atividades práticas que permitem aos alunos inquirir, criar e construir. Geralmente, as aulas são expositivas, com muita teoria e exercícios sistematizados para a memorização.

          O professor é o guia do processo educativo e exerce uma espécie de “poder”. Tem como função transmitir conhecimento e informações, mantendo certa distância dos alunos, que são “elementos passivos”, em sala de aula.

          As avaliações são periódicas, por meio de provas, e medem a quantidade de informação que o aluno conseguiu absorver.

          São escolas que preparam seus alunos para o vestibular desde o início do currículo escolar e enfatizam que não há como formar um aluno questionador sem uma base sólida, rígida e normativa de informação.

 

                                                                  texto retirado do site SÓ PEDAGOGIA

                                                                  http://pedagogia.com.br/linhasPedagogicas.php

 

       

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